Gerson Leite de Moraes
Universidade Presbiteriana Mackenzie
Resumo

É conhecida entre os estudiosos do fenômeno religioso evangélico no Brasil, a utilização da metáfora marinha que classifica o pentecostalismo brasileiro em três ondas. Vale lembrar que a última onda, denominada de Neopentecostalismo, analisou prioritariamente as igrejas surgidas entre o final dos anos 70 e início dos 80 do século XX. Pode-se dizer que o Neopentecostalismo, enquanto conceito, envelheceu, pois apesar de ter sido de grande ajuda para a compreensão e análise da organização pentecostal brasileira, atualmente não dá conta das novidades surgidas no interior do movimento nos últimos 40 anos. O pentecostalismo é um fenômeno dinâmico, camaleônico, com uma capacidade enorme de se reinventar. É desta percepção que nasce o termo Transpentecostalismo, que devido à sua flexibilidade, permite compreender melhor os embates e acomodações, as convergências e divergências, as coincidências e descoincidências dos diferentes pentecostalismos brasileiros. Isto não significa que se esteja criando uma quarta onda, mas simplesmente utilizando um conceito mais adaptado à realidade fluida do campo religioso pentecostal em relação à cultura na qual está inserido. O prefixo trans, em latim significa: além, para além; de um lado a outro (Torrinha, 1942: 884). É daí que vem a ideia de trânsito, de algo que está em movimento constante, algo que está além, que vai para além da estaticidade. Neste artigo, optou-se por uma abordagem descritiva sobre o nascimento do conceito, sua inserção naquilo que foi denominado de pentecostalismo de longa duração e sua aplicação no universo cultural cinematográfico promovido por uma igreja até então classificada como neopentecostal.
Palavras-chave: Transpentecostalismo; Campo Religioso; Cultura; Cinema; Logopatia.
Como citar:
Leite de Moraes, G. (2020). Transpentecostalismo: Origens e aplicações de um conceito. Religiones Latinoamericanas. Nueva Época, 6(1). pp. 11 – 28. Recuperado de:
https://www.religioneslatinoamericanas.com.mx/articulo/leite-6-1/
Referencias
- A DISTINÇÃO DOS REGIMENTOS EM LUTERO E IMPLICAÇÕES PARA A ÉTICA POLÍTICA. Disponível em: https://www.luteranos.com.br/textos/a-distincao-dos-dois-regimentos-em-lutero-e-implicacoes-para-a-tica-politica>. Acesso em 23/08/2020.
- BENJAMIN, Walter. (1987) O autor como produtor. In: Obras Escolhidas, Volume 1. São Paulo: Brasiliense.
- BOURDIEU, Pierre. (2005) A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva.
- BURKE, Peter. (2010) Cultura popular na Idade Moderna: Europa 1500-1800. São Paulo: Companhia das Letras.
- CABRERA, Julio. (2006) O cinema pensa – uma introdução à filosofia através dos filmes. Rio de Janeiro: Rocco.
- CHARTIER, Roger. (2009) A História ou a leitura do tempo. Belo Horizonte: Autêntica Editora.
- GRAÇA FILMES. http://www.gracafilmes.com.br/noticia/graca-filmes-ha-cinco-anos-valorizando-a-familia>. Acesso em 24/05/2020
- LEONEL, Nicolau Bruno de Almeida. (2015) Marker e Benjamin: a montagem como engenharia de posicionamento. In: Walter Benjamin – experiências históricas e imagens dialéticas. São Paulo: UNESP.
Lista completa en el PDF del artículo